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Negociações coletivas de 2026 e 2027 exigirão planejamento e cautela

Por Sindiflores São Paulo clock 04 de setembro de 2026

As negociações coletivas para o período de 2026 e 2027 deverão ser especialmente desafiadoras para os empresários do comércio varejista de flores, plantas ornamentais, acessórios e artigos para jardinagem.

As pautas apresentadas pelos sindicatos laborais estão mais extensas e podem provocar aumento significativo dos custos com pessoal, além de mudanças na organização das jornadas, escalas, folgas e trabalho em feriados. Por isso, será fundamental acompanhar as negociações e avaliar previamente seus possíveis impactos financeiros e operacionais.

Principais reivindicações dos trabalhadores

Além da reposição da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), deverão estar presentes nas negociações:

  • aumento real de salários, com reivindicações que podem chegar a aproximadamente 5%;
  • diferenciação e elevação dos pisos salariais;
  • ampliação de benefícios, como cesta básica e auxílios;
  • criação ou aumento de prêmio de assiduidade;
  • restrições à contratação de trabalhadores intermitentes;
  • limites para o uso de automação e Inteligência Artificial;
  • retomada da homologação obrigatória das rescisões nos sindicatos;
  • alterações nas regras de jornada, escalas e distribuição das folgas;
  • novas condições para o trabalho aos domingos.

Caso sejam acolhidas de forma ampla, essas reivindicações poderão elevar não apenas a folha salarial, mas também os encargos, o custo dos benefícios e as despesas relacionadas à organização das equipes.

Impactos específicos para o setor

O varejo de flores e plantas ornamentais possui características que precisam ser consideradas na negociação coletiva. A atividade apresenta períodos de intensa sazonalidade, com forte concentração das vendas em datas como Dia das Mães, Dia dos Namorados, Dia de Finados, Natal e outras celebrações.

Nesses períodos, as empresas necessitam ampliar temporariamente as equipes, ajustar horários, compensar jornadas e organizar escalas especiais. Restrições excessivas ao trabalho intermitente, às jornadas flexíveis ou ao funcionamento em domingos (feriados está liberado por lei) podem dificultar o atendimento ao consumidor e comprometer as vendas justamente nos momentos mais importantes do ano.

Além disso, o setor trabalha com produtos vivos, sensíveis e perecíveis, que exigem cuidados diários, manutenção, irrigação, conservação e reposição. Mesmo nos dias em que a loja não funciona normalmente, determinadas atividades não podem ser simplesmente interrompidas.

Discussões sobre jornada e escala 6×1

As propostas em debate no Congresso Nacional sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 também aumentam a incerteza para os próximos períodos negociais.

Eventuais mudanças poderão exigir:

  • contratação de mais trabalhadores;
  • reorganização das escalas;
  • redução dos horários de funcionamento;
  • pagamento de horas extras;
  • revisão dos custos operacionais;
  • mudanças na distribuição das folgas;
  • reavaliação do atendimento em domingos e feriados.

Enquanto não houver uma definição legal, é importante evitar decisões precipitadas. As empresas devem acompanhar as discussões e elaborar diferentes cenários para 2026 e 2027.

A importância da Convenção Coletiva de Trabalho

A Convenção Coletiva de Trabalho poderá ser um instrumento essencial para estabelecer regras claras e adequadas à realidade do setor. Por meio da negociação coletiva, poderão ser regulamentados, observados os requisitos legais:

  • banco de horas;
  • jornadas parciais ou reduzidas;
  • contratos intermitentes;
  • escala 12×36, quando aplicável;
  • semana espanhola, com alternância de cargas horárias;
  • compensação de jornada;
  • distribuição das folgas conforme os períodos de maior ou menor movimento;
  • condições para o trabalho em domingos e feriados;
  • regras específicas para períodos de grande demanda.

Esses mecanismos podem proporcionar maior flexibilidade, ajudar no controle dos custos e preservar a capacidade de atendimento das empresas.

Equilíbrio será fundamental

O grande desafio das negociações será compatibilizar as legítimas demandas dos trabalhadores com a capacidade financeira das empresas.

Reajustes e benefícios que desconsiderem a realidade econômica do setor podem resultar em redução de contratações, diminuição das equipes, limitação dos horários de funcionamento e dificuldades para a manutenção dos postos de trabalho.

A representação patronal deverá buscar um acordo sustentável, que valorize os trabalhadores sem comprometer a continuidade dos negócios, a competitividade das empresas e a preservação dos empregos.

Recomendações aos empresários

Diante desse cenário, recomenda-se que os empresários:

  1. acompanhem os comunicados do Sindiflores;
  2. avaliem antecipadamente o impacto de reajustes, benefícios e encargos;
  3. revisem escalas, jornadas e sistemas de compensação;
  4. identifiquem as necessidades de pessoal para as datas sazonais;
  5. evitem assumir compromissos individuais antes da conclusão da negociação coletiva;
  6. mantenham registros atualizados de jornada, folgas e trabalho em feriados;
  7. encaminhem à entidade patronal informações sobre dificuldades e necessidades específicas do setor;
  8. consultem orientação jurídica ou contábil antes de alterar contratos e jornadas.

Participação empresarial

A participação dos empresários será indispensável para que a negociação represente as condições reais do comércio varejista de flores e plantas ornamentais.

Informações sobre custos, dificuldades de contratação, sazonalidade, horários de funcionamento e trabalho em feriados contribuirão para a construção de uma Convenção Coletiva equilibrada e adequada ao setor.

Prepare sua empresa. As negociações de 2026 poderão produzir efeitos importantes também em 2027, exigindo planejamento financeiro, organização operacional e acompanhamento permanente das decisões coletivas e legislativas.