Negociações coletivas de 2026 e 2027 exigirão planejamento e cautela
As negociações coletivas para o período de 2026 e 2027 deverão ser especialmente desafiadoras para os empresários do comércio varejista de flores, plantas ornamentais, acessórios e artigos para jardinagem.
As pautas apresentadas pelos sindicatos laborais estão mais extensas e podem provocar aumento significativo dos custos com pessoal, além de mudanças na organização das jornadas, escalas, folgas e trabalho em feriados. Por isso, será fundamental acompanhar as negociações e avaliar previamente seus possíveis impactos financeiros e operacionais.
Principais reivindicações dos trabalhadores
Além da reposição da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), deverão estar presentes nas negociações:
- aumento real de salários, com reivindicações que podem chegar a aproximadamente 5%;
- diferenciação e elevação dos pisos salariais;
- ampliação de benefícios, como cesta básica e auxílios;
- criação ou aumento de prêmio de assiduidade;
- restrições à contratação de trabalhadores intermitentes;
- limites para o uso de automação e Inteligência Artificial;
- retomada da homologação obrigatória das rescisões nos sindicatos;
- alterações nas regras de jornada, escalas e distribuição das folgas;
- novas condições para o trabalho aos domingos.
Caso sejam acolhidas de forma ampla, essas reivindicações poderão elevar não apenas a folha salarial, mas também os encargos, o custo dos benefícios e as despesas relacionadas à organização das equipes.
Impactos específicos para o setor
O varejo de flores e plantas ornamentais possui características que precisam ser consideradas na negociação coletiva. A atividade apresenta períodos de intensa sazonalidade, com forte concentração das vendas em datas como Dia das Mães, Dia dos Namorados, Dia de Finados, Natal e outras celebrações.
Nesses períodos, as empresas necessitam ampliar temporariamente as equipes, ajustar horários, compensar jornadas e organizar escalas especiais. Restrições excessivas ao trabalho intermitente, às jornadas flexíveis ou ao funcionamento em domingos (feriados está liberado por lei) podem dificultar o atendimento ao consumidor e comprometer as vendas justamente nos momentos mais importantes do ano.
Além disso, o setor trabalha com produtos vivos, sensíveis e perecíveis, que exigem cuidados diários, manutenção, irrigação, conservação e reposição. Mesmo nos dias em que a loja não funciona normalmente, determinadas atividades não podem ser simplesmente interrompidas.
Discussões sobre jornada e escala 6×1
As propostas em debate no Congresso Nacional sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 também aumentam a incerteza para os próximos períodos negociais.
Eventuais mudanças poderão exigir:
- contratação de mais trabalhadores;
- reorganização das escalas;
- redução dos horários de funcionamento;
- pagamento de horas extras;
- revisão dos custos operacionais;
- mudanças na distribuição das folgas;
- reavaliação do atendimento em domingos e feriados.
Enquanto não houver uma definição legal, é importante evitar decisões precipitadas. As empresas devem acompanhar as discussões e elaborar diferentes cenários para 2026 e 2027.
A importância da Convenção Coletiva de Trabalho
A Convenção Coletiva de Trabalho poderá ser um instrumento essencial para estabelecer regras claras e adequadas à realidade do setor. Por meio da negociação coletiva, poderão ser regulamentados, observados os requisitos legais:
- banco de horas;
- jornadas parciais ou reduzidas;
- contratos intermitentes;
- escala 12×36, quando aplicável;
- semana espanhola, com alternância de cargas horárias;
- compensação de jornada;
- distribuição das folgas conforme os períodos de maior ou menor movimento;
- condições para o trabalho em domingos e feriados;
- regras específicas para períodos de grande demanda.
Esses mecanismos podem proporcionar maior flexibilidade, ajudar no controle dos custos e preservar a capacidade de atendimento das empresas.
Equilíbrio será fundamental
O grande desafio das negociações será compatibilizar as legítimas demandas dos trabalhadores com a capacidade financeira das empresas.
Reajustes e benefícios que desconsiderem a realidade econômica do setor podem resultar em redução de contratações, diminuição das equipes, limitação dos horários de funcionamento e dificuldades para a manutenção dos postos de trabalho.
A representação patronal deverá buscar um acordo sustentável, que valorize os trabalhadores sem comprometer a continuidade dos negócios, a competitividade das empresas e a preservação dos empregos.
Recomendações aos empresários
Diante desse cenário, recomenda-se que os empresários:
- acompanhem os comunicados do Sindiflores;
- avaliem antecipadamente o impacto de reajustes, benefícios e encargos;
- revisem escalas, jornadas e sistemas de compensação;
- identifiquem as necessidades de pessoal para as datas sazonais;
- evitem assumir compromissos individuais antes da conclusão da negociação coletiva;
- mantenham registros atualizados de jornada, folgas e trabalho em feriados;
- encaminhem à entidade patronal informações sobre dificuldades e necessidades específicas do setor;
- consultem orientação jurídica ou contábil antes de alterar contratos e jornadas.
Participação empresarial
A participação dos empresários será indispensável para que a negociação represente as condições reais do comércio varejista de flores e plantas ornamentais.
Informações sobre custos, dificuldades de contratação, sazonalidade, horários de funcionamento e trabalho em feriados contribuirão para a construção de uma Convenção Coletiva equilibrada e adequada ao setor.
Prepare sua empresa. As negociações de 2026 poderão produzir efeitos importantes também em 2027, exigindo planejamento financeiro, organização operacional e acompanhamento permanente das decisões coletivas e legislativas.