CNC apura profissões em alta e em baixa no mercado formal de trabalho dos últimos 10 anos

Profissões em processo de extinção se caracterizaram pela baixa qualificação e exposição ao avanço da tecnologia. As mais promissoras estão ligadas aos cuidados com a saúde, educação infantil e informação. O desemprenho da economia brasileira nos últimos 10 anos apresentou dois períodos significativamente distintos. De 2007 a 2013, o Produto Interno Bruto (PIB) avançou a uma taxa média anual de 4% tendo registrado durante esse período suas maiores taxas anuais desde a estabilização monetária. A perda de dinamismo a partir de 2014, no entanto, foi o preâmbulo da maior recessão econômica de que se tem registro no País. Nos últimos quatro anos, o PIB brasileiro encolheu em média 1,4% ao ano.
Do ponto de vista quantitativo, os impactos das oscilações do PIB sobre o mercado de trabalho foram, naturalmente, significativos em ambos os períodos. Se, em 2010, por exemplo, tanto a economia quanto o mercado formal de trabalho acusaram suas melhores performances anuais recentes, no biênio 2015/2016, a recessão destruiu mais de 2,8 milhões de postos formais de trabalho, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) – o equivalente a uma redução de 7% no emprego celetista no acumulado desses dois anos.
A retração do mercado de trabalho, no entanto, não foi o único subproduto derivado da recente recessão. Recentemente, a precarização do trabalho através do avanço da informalidade e a falta de confiança na recuperação da economia levaram a subutilização da força de trabalho a níveis recordes, seja por insuficiência das horas trabalhadas, de acordo com a Pesquisa Nacional de Amostras de Domicílios Continua (PNADC), apurada mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além do impacto quantitativo sobre o mercado de trabalho, a mais longa e profunda recessão a assolar o País em sua história econômica recente produziu, também do ponto de vista qualitativo, mudanças significativas no perfil do emprego.
Ainda que indesejável à sociedade, o aumento do desemprego desencadeou uma espécie de processo de “seleção natural” no mercado de trabalho pelo aumento da participação dos estratos de qualificação acima da mediana do próprio mercado de trabalho. Em uma década, o contingente de trabalhadores celetistas que possuem nível superior completo ou incompleto aumentou 62,6%, contra um avanço de 23,1% na média do empregado formal.
Ainda durante a crise de 2015/2016, mesmo após esse período, os trabalhadores com graus de instrução elevados para o padrão brasileiro passaram a responder por uma porção cada vez maior de força de trabalho ocupada, passando de 19% (7,4 milhões) para 26% (12,0 milhões) entre 2007 e 2017. 
Por outro lado, diversos profissionais empregados em ocupações caracterizadas por níveis inferiores de qualificação, e/ou mais expostos ao avanço tecnológico ao longo da cadeia produtiva, passaram a representar um contingente menor da força de trabalho celetista do País. Em 2007, 16,3 milhões de pessoas formalmente ocupadas não tinham mais do que o nível médio incompleto (43,5% do total). Dez anos depois, esses trabalhadores representavam 25,5% do mercado (11,8 milhões de pessoas).
Apartir das informações da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) recentemente divulgadas pelo Ministério do Trabalho  (MTb), a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) avaliou, dentre mais de 2.600 profissões, aquelas que são mais relevante, mais perderam espaço no mercado de trabalho formal entre 2007 e 2017.
Dentre as 20 profissões que mais avançaram no período analisado, percebe-se uma predominância de atividades voltadas para a saúde (cuidadores de idosos, preparadores físicos, técnicos de enfermagem, técnicos em saúde bucal e fisioterapeutas) e para a educação infantil (professor de educação infantil e pedagogo), além de profissões relacionadas a serviços de informação e comunicação (analistas de informações, instaladores e técnicos de rede de comunicação e operadores de telemarketing).
Por outro lado, profissões que requerem baica qualificação, e cujo serviço está exposto aos avanços da tecnologia, perderam espaço no mercado de trabalho na ultima década em ocupações concentradas nas indústrias extrativa mineral, extrativa vegetal e têxtil, além de serviços bancários, dentre outros.
Finalmente, outra característica marcante do período econômico foram as maiores oportunidades de empreendedorismo. Os empregadores, como proporção da força de trabalho, passaram de 3,9% em 2007 para 4,5% em 2010 – tendência  que foi retomada mesmo durante a recessão.
O crescimento do número de empregadores, no entanto, teve como impulso não a oportunidade, mas a necessidade de empreender após o aumento da taxa de desemprego atingir níveis recordes no primeiro trimestre de 2016 (13,7% da população economicamente ativa, ou 14,2 milhões de pessoas). Assim , entre 2014 e 2017, o percentual de empregadores avançou de 4,1% para 4,7% da força de trabalho brasileira. Nos últimos 10 anos, o número de empregadores no País passou de 3,43 milhões para 4,40 milhões de pessoas (alta de 27%).

 

Fonte: Súmario Econômico, CNC