Cultivo de flores é alternativa produtiva e rentável em pequenos espaços

Flores tropicais e folhagens decorativas tem alto potencial produtivo

A fertilidade do solo e quantidade de área para plantio confere ao Brasil, um potencial produtivo em diferentes cultivos agrícolas. Flores e plantas ornamentais são opções presentes em poucos estados, mas, que nos últimos cinco anos demonstraram lucratividade expressiva, visto que geraram quase 200 mil empregos diretos, dos quais 39,5% relativos à produção, seguido 4,22% para distribuição, 53% no varejo e 3,25% em funções de apoio.

Segundo levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), existem atualmente no país, oito mil produtores de flores e plantas, que juntos cultivam mais de 350 espécies com cerca de três mil variedades. Em números, o cenário também é favorável, pois, a cadeia produtiva movimentou R$ 10,2 bilhões e obteve participação no Produto Interno Bruto (PIB) com R$ 4,5 bilhões de reais. 

Cenário Regional -  Em Mato Grosso do Sul, os dados preliminares do Censo Agro 2017 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou que a área utilizada para o cultivo de flores é de pouco mais de 3,8 mil hectares com 330 produtores rurais se dedicando a atividade. 

De acordo com o diretor-presidente da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer), André Nogueira, estão em andamento pesquisas realizadas por técnicos da instituição, com intuito de despertar nos produtores rurais o interesse pelo cultivo comercial.

 “Nosso objetivo é demonstrar a potencialidade existente em Mato Grosso do Sul e temos profissionais que desenvolvem importantes experimentos relativos com plantas ornamentais”, explica. 

Uma das pesquisas mais avançadas é da engenheira agrônoma, Liliane Kobayashi, na unidade da Agraer em Dourados, focada no desenvolvimento de flores ornamentais e na observação da adaptação climática de espécies como cúrcumas, helicônias, alpinias, gengibre ornamental, musas e bastão do imperador. 

“É um trabalho amplo que vai da identificação das espécies que tem dupla aptidão, como por exemplo, produção de flores de corte e paisagismo, ocorrência de pragas e doenças, até a diversificação de opções para cultivo entre os produtores do Estado”, detalha a pesquisadora. 

Liliane destaca que as experiências têm o intuito de divulgar para floriculturas, decoradores e paisagistas, as novas opções de flores regionais que podem ser cultivadas em escala comercial. “Temos condições clima, solo e precipitação de chuvas ideais para produzir flores tropicais, além de diversos tipos de folhagens. Está comprovado que existe demanda interna de mercado e inclusive o excedente poderá ser exportado para outros estados”, acrescenta. 

A pesquisadora da Agraer destaca que no Estado, já existem vários produtores cultivando comercialmente, diversas espécies de orquídeas e flores do deserto e que a introdução das opções tropicais pode impulsionar a produção e a lucratividade da atividade, porém, é preciso considerar alguns aspectos importantes. 

“A falta de tradição neste tipo de cultivo é o principal motivo para que mais pessoas ainda não tenham investido na produção comercial. Outro fator que precisa ficar claro diz respeito ao investimento inicial, que como em qualquer cultura exigirá compra de mudas, implantação de sistemas de irrigação e adubação específica”, conclui. 

OPÇÕES PARA EXPORTAÇÃO

Entre os dias 6 e 10 de agosto foi realizado em Bonito, o 55º Congresso Nacional de Olericultura junto com o Encontro Latino-Americano de Horticultura e um dos palestrantes convidados, foi Armando Emilio Rey Torres, docente da Universidad del Tolima, na Colômbia.

Na oportunidade, o especialista apresentou a evolução técnica da floricultura no país que aperfeiçoou o cultivo da rosa colombiana, uma das espécies mais apreciadas por consumidores em diferentes partes do mundo.

“O plantio de rosas colombianas é expressivamente rentável, já que em um hectare pode-se produzir 70 mil plantas. Com manejo correto consegue-se colher diariamente 40 mil flores, que são vendidas pelo preço médio de US$ 8 dólares. Se consideramos que o custo de produção é de no máximo US$ 4 dólares, observa-se o quanto é viável este tipo de produção”, revela. 

Torres acrescentou que a produção é altamente especializada e procurada por pequenos produtores, em razão do tamanho das propriedades consideradas pequenas.

“É importante considerar que os produtores do segmento se aperfeiçoaram para fornecer flores e hortaliças de excelente qualidade e que são destinados à exportação. No ano passado, o total produzido em números chegou a US$ 800 milhões de dólares, em nosso país”. 

 

Fonte: Correio do Estado, https://bit.ly/2Q2M33z