Produtores de flores se preparam para enfrentar a estiagem no interior de SP

Em Atibaia, novos reservatórios estão sendo construídos.

Os antigos reservatórios vão ser ampliados para evitar que falte água.

A maior parte dos produtores de flores de Atibaia, em São Paulo, conseguiu enfrentar bem a estiagem do ano passado. O segredo foi apostar na prevenção, armazenando água. Agora, os produtores que não conseguiram evitar os prejuízos estão construindo novos reservatórios e ampliando os que já tinham. A região é responsável por quase 25% da produção nacional de flores.

A região de Atibaia, a 50 quilômetros de São Paulo, tem 400 produtores de flores. A metade faz o cultivo em vasos. O produtor Gino Shinkawa é um dos mais tradicionais quando o assunto são os crisântemos. Ele planta 36 tipos diferentes dessa flor. Por ano, são 900 mil vasinhos vendidos, principalmente, na capital paulista.

Para irrigar toda essa produção, Gino usa um sistema de micro aspersão nas estufas. A estrutura de arame permite que cada vaso receba a quantidade certa de água para evitar desperdício. A propriedade tem um poço artesiano e, para captar a água da chuva, foram instaladas calhas ao redor das estufas e construído um reservatório para a armazenagem.

“Hoje tenho capacidade para armazenar 1,6 milhão de litros nessa propriedade. No fim do ano, com a seca, usei tudo isso e quase ficamos sem água”, relata o produtor.

Na região, muitos produtores também fazem o cultivo em canteiros. São flores comercializadas com a haste, como a gipsofila, conhecida como mosquitinho branco, ou o lisianto, que pode ter várias cores.

Esse sistema consome mais água do que a produção em vasos e mesmo na região de Atibaia, onde historicamente chove bastante, alguns produtores sofreram com a estiagem do ano passado. É o caso do produtor de flores Marco Antonio Alves que, em uma área de sete hectares, produz por ano 450 mil maços de flores. Por causa da seca, algumas estufas estão desativadas. Em muitos canteiros, parte das plantas não desenvolveu bem e a colheita está 15% menor do que no mesmo período de 2014.

“O que aconteceu foi que começou a entrar muita doença. A gente não conseguiu controlar. Como não tinha água suficiente para dar o necessário, a gente achou melhor desativar, que o custo ia ser menor pra empresa”, explica o produtor.

Nos últimos oito meses, o Marco Antonio investiu em algumas mudanças na propriedade para enfrentar melhor períodos mais longos de estiagem. A capacidade de armazenagem de água, por exemplo, dobrou com a construção de dois novos reservatórios. Hoje, ele consegue guardar até 44 milhões de litros de água em cinco reservatórios.

Segundo os cálculos do Marco Antonio, antes dava para resistir a três meses sem chuva. Agora, ele está preparado para até seis meses de seca. A partir do próximo plantio, ele vai usar massa verde incorporada na terra, para diminuir a temperatura do solo em até quatro graus. Além disso, obras triplicaram o tamanho do lago, um investimento de R$ 200 mil.

Priscila Brandão - Do Globo Rural