cerejeiras em flor

António Alves Fernandes - Aldeia de Joane - © Capeia Arraiana

Cerejeiras em flor – um espectáculo deslumbrante e mágico

 

As cerejeiras em flor significam a glória. Na sua experiência de Fé, é uma forma de através das árvores chegarem à eternidade.
Já procurei esclarecer-me junto do Dr. Pires Nunes, um insigne historiador e escritor, e do Dr. António Salvado, poeta e ex-Director do Museu, residentes em Castelo Branco. Ambos admitem estas possibilidades, os jesuítas são de uma cultura contagiante.
Há poucos anos, uma delegação japonesa de alto nível deslocou-se ao Fundão, a convite deste Município, para observar as cerejeiras das colinas da Serra da Gardunha. Ficaram deveras admirados.
Também essa delegação oficial não confirmou nem desmentiu a hipótese de terem sido os Jesuítas a semearam os frutos das cerejeiras no seu País. Todos sabemos o papel histórico, cultural e de evangelização dos companheiros de Santo Inácio de Loyola, concretizado nas Américas e na Ásia.
Nas encostas da Serra da Gardunha, estendem-se para todos os pontos cardeais, enchem-se de milhões de flores, colinas vestidas de noivas a caminho do altar, decorando a Serra e as suas periferias. No meio há aldeias encantadoras que servem refeições tradicionais de gastronomia da Beira Baixa, regada com bons vinhos da Região. O viajante, ao passar pela EN18, ou outras estradas municipais, tem de parar, observar e com a objectiva fotográfica registar no seu álbum de recordações. As flores têm um aroma muito especial. A floração aparece a Sul da Gardunha, território mais quente, estende-se mais tarde a terrenos mais frios.
O espectáculo que nos oferece é deslumbrante e mágico. Subindo a Serra, por Alcongosta ou Souto da Casa, nos seus pontos mais altos admiramos paisagens mágicas e sedutoras.
A Serra da Gardunha e a Cova da Beira oferecem-nos as cerejeiras em flor em Alpedrinha, Alcaide, Souto da Casa, Castelo Novo, a par de um variadíssimo património religioso, cultural e artesanal de um mundo rural único.
Se for à Cidade do Fundão, pode visitar o Museu Arqueológico, a Moagem – Cidade das Artes e do Engenho, a Igreja Matriz, o Museu da Misericórdia… em Aldeia de Joanes, o Museu de Mário Salvado, na Sede da Junta de Freguesia.
Recomendo a viagem até à Beira Baixa por linha férrea, permite acompanhar o curso das águas do Rio Tejo, uma viagem a nunca esquecer.
Alguém mais letrado do que eu explicou-me que a palavra Gardunha tem origem árabe, significando refúgio ou esconderijo. Não há dúvida de que só num sítio secreto e precioso podia nascer a cereja do Fundão para o mundo.
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«Aldeia de Joanes», crónica de António Alves Fernandes (PT)