Eles deixam-se levar pelos sentimentos e fazem arranjos de flores maravilhosos

Kckliko: Eles deixam-se levar pelos sentimentos e fazem os arranjos de flores mais bonitos do País

MPRAR

 

29.11.2017 às 18hLinkedin

 

 

Albane e Luís Moreno gostam de trabalhar com flores apanhadas à beira da estrada e, nos seus arranjos, só contam com espécies da estação. São respigadores da natureza, exímios na arte de decorar com ramos, folhas e pétalas. Fomos conhecer a Kckli

Albane e Luís Moreno são o casal por detrás dos arranjos florais da Kckliko, uma empresa familiar

Albane e Luís Moreno são o casal por detrás dos arranjos florais da Kckliko, uma empresa familiar

A senhora que lhes fornece a maior parte das flores com que trabalham já lhes conhece o gosto e, por isso, guarda-lhes tudo aquilo que é “estranho”. O que outros rejeitam eles preservam e, assim, nada vai para o lixo – flores com pés tortos e o coração a explodir, bocados de ramagens com formatos improváveis. E é essa a raiz respigadora de muitos dos arranjos florais da Kckliko.

O nome da marca é difícil de dizer, mais ainda de escrever, mas nasceu a partir da palavra francesa para papoila (coquelicot). “A tenacidade da papoila inspira-nos muito”, explica Luís Moreno que, com a mulher, Albane (em tempos, proprietária de uma loja no Arco do Cego), criou esta empresa familiar há pouco mais de dois anos. “Não digo que somos ecológicos porque, na verdade, estamos sempre a intervir na natureza. Gostamos de flores que vingam e que, de certa maneira, lutam contra as adversidades.”

Ver Luís e Albane, ambos com formação em Belas-Artes, fazer um arranjo é confirmar aquilo que dizem (e também ter a certeza de nunca mais nos arriscarmos nós próprios na tarefa, mas adiante…): apenas utilizam flores nacionais (“não faz sentido as flores andarem a viajar de avião pelo mundo inteiro”), só contam com as que são próprias da estação e, sobretudo, trabalham com “meiguice”. A jarra não precisa de ser uma grande jarra, tão-pouco uma jarra grande, um pedaço de rede de galinheiro ajuda a manter os pés direitos. Muitas vezes, não têm nada planeado, apenas uma certa paleta de cores, que se pretende que seja harmoniosa. Flores apanhadas à beira da estrada, vagabundas, sem dono nem futuro prometido, são as suas prediletas. Nos arranjos da Kckliko, começa-se pelas flores maiores e, como se tenta evitar a simetria, as espécies quase nunca aparecem em número par.

Revela Albane que, quando prepara um arranjo, o difícil é parar: “Vamo-nos guiando pelos sentimentos”. Parece poesia, e é mesmo. Luís e Albane gostavam de, um dia, sair da cidade, embora, por enquanto, estejam bem no bairro lisboeta onde vivem. Violetta, a filha de ambos, serve-lhes de manequim para as fotografias. Muitos dos vizinhos oferecem-lhes flores. Eles querem pagar, mas, como ninguém lhes quer cobrar, acabam por retribuir em géneros, isto é, em ramos de flores. Digamos que os vizinhos é que ficam a ganhar.

“Gostamos de flores que vingam e que, de certa maneira, lutam contra as adversidades”, explica o proprietário da Kckliko

“Gostamos de flores que vingam e que, de certa maneira, lutam contra as adversidades”, explica o proprietário da Kckliko