Você também anda apaixonado por plantas em casa?

O livro "Evergreen" reúne ideias inspiradoras de quem levou a natureza para dentro de casa e transformou o dia a dia na cidade.

Uma estufa de plantas que virou residência, um florista que decorou passarelas de grandes grifes, uma fazenda com mais de 3 mil espécies de cactos. O livro Evergreen: Living with Plants (Gestalten, 256 págs., 178 reais) reúne projetos arquitetônicos, esculturas naturais e histórias inspiradoras de especialistas e fãs de plantas que têm como objetivo em comum aproximar a natureza da vida urbana. Além de compilar ideias em lindas imagens, a publicação também traz orientações: há um guia de materiais e utensílios para começar seu jardim e ricas ilustrações que indicam os espaços corretos para posicionar diferentes espécies dentro de casa.

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A florista romana Carol Nóbrega, que vive em São Paulo, é uma das personagens da obra. Em 2015, ela e o marido, o brasileiro Antonio Jotta, abriram em São Paulo o FLO Atelier Botânico, especializado em vasos e terrários exóticos. O que era um hobby inspirado nas floriculturas do bairro do Marais, em Paris, se tornou um negócio. “Percebemos como as pessoas querem introduzir a natureza dentro de casa. E esse é o nosso mantra por aqui”, ela contou à ELLE. “Há um claro crescimento da apreciação da natureza por pessoas da cidade. Algumas fazem trilhas, outras tentam incorporá-la ao lugar onde moram – na forma de uma pequena planta na janela da cozinha ou com um jardim planejado.”

De fato, uma nova geração de jardineiros está transformando suas casas em habitats e pontos de refúgio, como vemos ao longo do livro. Essa volta ao verde remete aos ambientes repletos de plantas que marcaram as revistas de decoração desde os meados dos anos 1960 até o início da década seguinte – especialmente por causa da forte corrente ambientalista da época. Na moda, não foi diferente. Nessa época, as folhagens e fores dominavam as estampas, como no icônico lenço de seda da Gucci, na primeira coleção Ocidente Encontra Oriente, de Kenzo Takada, e nos vestidos esvoaçantes de Chloé, Yves Saint Laurent, Ken Scott, Givenchy e Missoni. Agora, nos desfiles de verão 2017, esse clima também voltou às passarelas. Na Balmain, Dolce & Gabbana e Lacoste, folhagens e palmeiras adornavam o catwalk, assim como apareciam em algumas das estampas.

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VIDA FLORIDA

Há quem defenda que o cuidado e a observação que as plantas demandam nos tornam mais sensíveis em relação aos ciclos naturais da vida, por vezes obscurecidos pelo frenesi da rotina contemporânea. “Nós frequentemente esquecemos que somos natureza. E, quando isso acontece, perdemos a conexão com nós mesmos”, acredita a florista turca Fem Gucluturk, que mostra em Evergreen tanto sua floricultura quanto uma coleção pessoal de plantas, que soma mais de 600 exemplares, em seu apartamento no bairro de Besiktas, em Istambul. Sua paixão começou em 2013, logo depois de se hospedar numa casa florida em uma viagem a Copenhague. Voltou a Istambul decidida a colecionar plantas e livros de botânica e jardinagem. Até que finalmente abandonou a empresa de consultoria, da qual era sócia havia 12 anos, para montar a própria floricultura. “Quase todo mundo sonha em ter um espaço cheio de plantas ou viver de novo no interior, como faziam nossos antepassados”, diz ela, que defende uma vida mais conectada com a natureza. “Nós nos acostumamos a olhar os aplicativos de previsão do tempo em vez de olhar para o céu!”

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A inglesa Anna Potter em sua floricultura, a Swallows & Damsons, em Sheffeld, no Reino Unido. (Swallows & Damsons/Divulgação)