Pirataria gerou rombo bilionário em 2015 para empresas e indústrias

Uma busca breve em sites de anúncios de compra e venda de produtos é capaz de expor problemas que geram rombos bilionários a empresas e aos cofres públicos: a pirataria e a falsificação. São CDs, DVDs, brinquedos, eletrônicos, esmaltes e até perucas. Produtos com preço mais em conta, mas que alimentam um mercado ilegal operado, muitas vezes, pelo crime organizado.

De acordo com o FCNP (Fórum Nacional Contra a Pirataria e Ilegalidade), os setores produtivos e o poder público deixaram de receber e arrecadar R$ 115 bilhões, em 2015.

E o maior prejuízo ficou na conta das empresas, que viram R$ 80 bilhões de seus ganhos se esvaírem pelas lojas físicas e virtuais de produtos falsificados e pirateados. A guerra contra a pirataria é longa e exige empenho, principalmente, das empresas vítimas do crime.

O presidente do FCNP (Fórum Nacional Contra a Pirataria e Ilegalidade), Edson Vismona, afirma que os setores produtivos devem estar sempre alertas e devem criar redes de inteligência para monitorar os fabricantes clandestinos e ajudar as autoridades a encontrar os falsificadores.

— Na crise esse cenário se intensifica. Muitas empresas que viviam na legalidade passam a fabricar produtos falsificados para não fecharem as portas. É um setor de extrema importância que investe e gera empregos. O importante é reconhecer que o mercado ilegal é uma ameaça constante.

Em um momento de recessão como o que o Brasil está vivendo, os preços mais atraentes dos produtos contrabandeados, falsificados e pirateados potencializam o trunfo do preço mais acessível. Sem pagar os devidos impostos e royalties de licenciamento, o produto chega no mercado, no mínimo, 50% mais barato que o original. O setor de licenciamento tem sentido na pele o que é perder espaço para a pirataria.

O vice-diretor jurídico da Abral (Associação Brasileira de Licenciamento), José Henrique Werner, conta que o licenciamento é o mais visível setor impactado pela pirataria, uma vez que está atrelado às industrias que investem em tecnologia e novos produtos, que têm direitos intelectuais, e que sofrem com a reprodução indevida de marcas e personagens.

Porém, Werner alerta que, além das perdas das indústrias e das empresas, o consumidor é fortemente impactado pelas consequências danosas que produtos falsificados podem gerar.

— O consumidor terá um produto de baixa qualidade. Ele terá que comprar mais de uma vez a mesma coisa para durar como um original. Há, inclusive, remédios falsificados. É um perigo à sociedade.

Outro ponto levantado pelos especialistas do setor é o aumento do trabalho informal, uma vez que as empresas agem na ilegalidade, deixando de lado qualquer preocupação com os direitos trabalhistas.

Produtos de Os Dez Mandamentos são pirateados

Nos sites de anúncios de compra e venda na Internet é possível encontrar diversos produtos da franquia de Os Dez Mandamentos falsificados. São semi-joias, DVDs, prendedor de Talit, sandálias estilo gladiador e até mesmo perucas que usam a marca da novela como chamariz de venda, porém, são produtos que não são licenciados pelo Grupo Record e não oferecem a qualidade das peças oferecidas legalmente.

Nos últimos meses, vídeos foram publicados no YouTube nos quais fãs da novela aparecem com pacotinhos com cards ilustrados com personagens da trama. Não se sabe a procedência do material, porém, o produto é falsificado.

Vismona faz alerta para quem pensa em comprar esse tipo de produto.

— Esse mercado não paga imposto, não respeita normas técnicas, não tem padrão de qualidade, prejudica a saúde e a segurança dos consumidores, que compram um produto que não dura nada ou nem funciona. Comprar um produto pirata é uma vantagem fictícia